Quem somos

Sobre Nuria

Não sei de quando é que vem a minha conexão com a medicina natural, mas lembro-me desde pequena fazendo elixires, misturando líquidos com plantas, flores, raízes e minerais.

Venho duma família de químicas e as ciências nunca foram o meu, mas sempre brinco com que eu sou algo assim como uma “química intuitiva”, pois em cada preparado faço alquimia e utilizo inevitavelmente fórmulas químicas. Valoro muito a ciência, mas também sei que não é o único caminho de recuperação. Hoje em dia me declaro abertamente Mezinheira e protejo com carinho as ensinanças herdadas e recuperadas de quem me precedeu.

A minha trajetória foi sempre ligada à comunicação, estudei para mostrar a minha terra com muito orgulho, serviço ao que levo dedicada meia vida como Guia Oficial da Galiza, difundindo a nossa cultura, ritos e tradições, especialmente o do lugar das mulheres galegas na história.

Logo de migrar uma temporada para França, outra das minhas grandes habilidades comunicadoras levou-me a querer estudar tradução e serviços linguísticos na Universidade do Porto. Nesta experiência de vida entendi a relação entre o galego e o português e reforcei a minha necessidade de cuidar a lusofonia; e já nunca mais consegui separar as duas línguas.

Em 2007 integrei uma organização feminista internacional que marcou a minha vida e da qual fiz parte até 2022. O meu compromisso com o movimento feminista foi mui forte e intenso, participando ativamente em centros sociais, promovendo o feminismo autónomo e popular, viajando como representante da Galiza, apoiando linguisticamente nas reuniões internacionais, difundindo a importância da soberania alimentar e territorial, dignificando a memória histórica...durante todo esse tempo aprofundei nas violências estruturais que vivemos as mulheres galegas e percebi a importância de viver organizada em coletivo. Foi uma etapa da minha vida mui expansiva, mas também mui rica a nível pessoal. Foquei-me muito em obter ferramentas para o coletivo aprendendo as metodologias do Teatro Popular de Boal, formando-me em Facilitação de processos grupais e tentando articular-me socialmente desde os princípios do cuidado e do bom trato, a través da terapia do Reencontro.

Com a morte do meu pai em 2011 marchei para Baixo Minho e tentei viver no rural e em comunidade. Foi uma vivencia muito desafiadora e aprendi muito sobre autogestão, cultivos e medicina tradicional. Criei um projeto lindo chamado Mouras e comecei a estar ao serviço da minha contorna partilhando os meus conhecimentos sobre plantas e oferecendo os preparados que fazia para o cuidado do corpo, do cabelo e da saúde em geral.

O final do ciclo no Baixo Minho foi mui doloroso e acabei chorando em Cangas, onde botei outro longo ciclo de reparação que me levou a uma viagem sem retorno por Abya Yala.

A pandemia pilhou-me em Walmapu e foi uma grande oportunidade para re-conectar comigo mesma e com o meu propósito. A efervescência da medicina natural, da ginecologia natural e o indigenismo daquelas terras deu-me muitas respostas que precisava e ajudou-me na continuação do meu próprio caminho. Neste ponto começo um percurso de formação com as melhores mestras da Ginecologia Natural, da Respiração Ovárica, da Cristaloterapia, da Oráculoterapia, do sistema floral de Bach...e outros mundos, para além do Reino Vegetal, se abrem para mim.

Quando tinha 17 anos vivi um episódio ginecológico complicado e sofri muito. Descobrir o autoconhecimento do meu corpo, dos meus ciclos e do meu prazer através da Ginecologia Natural foi extremamente revelador para mim; e sentir que posso combinar os meus saberes de herbolária e magia, com a libertação das mulheres/dissidências e o indigenismo galego, faz-me vibrar.

Perceber que é possível custodiar os conhecimentos antigos e dar-lhes o valor que merecem deu-me coragem para materializar este projeto.

Com esta miscelânea toda nasce Matriz Galega, assentada hoje em Areas, onde participo ativamente na Comunidade de Montes e na Associação Cultural, contribuindo à melhora da qualidade de vida da minha comunidade e à preservação da nossa terra, das nossas tradições, da nossa música, das nossas danças e, por suposto, dos nossos saberes populares e medicinais.